Vacinação para Covid-19 em pessoas com procedimentos estéticos
24 de março de 2021

Vacinação para Covid-19 em pessoas com procedimentos estéticos

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Recentemente um relatório divulgado pela Food and Drug Administration (FDA), agência que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, alertou para possíveis reações adversas causadas pela vacina da Moderna contra a Covid-19 em pessoas que possuem aplicações de preenchimento labial ou facial.

 

O estudo envolveu 3000 voluntários e 3 deles apresentaram efeitos adversos depois de tomarem a vacina. Essas pessoas tinham se submetido aos procedimentos pouco antes da vacinação e apresentaram inchaço e inflamação, o que foi corrigido com o uso de anti-inflamatórios a curto prazo.

 

"Esses sintomas não são uma exclusividade das vacinas contra o coronavírus. E costumam ser causados também por outros medicamentos, imunizantes ou gatilhos externos", explica a Dermatologista Valéria Campos, que teve acesso ao estudo da FDA.

 

Segundo a médica, é Importante lembrar que os preenchedores faciais são muito usados no mundo todo e podem ser temporários ou permanentes. "Como exemplo temos o silicone, o polimetilmetacrilato, a hidroxiapatita de cálcio, entre outros. Todos esses têm risco maior de reações tardias, do tipo corpo estranho".

 

Entre os biodegradáveis está o ácido hialurônico, que é o mais usado atualmente. Esse componente é encontrado em abundância no organismo, o que diminui o risco de reações alérgicas. Entretanto, o paciente não está livre de complicações, que podem ocorrer imediatamente após a aplicação ou aparecer em até 2 semanas após o procedimento, ou a longo prazo, ocorrendo anos depois", explica Valéria, que afirma também que "está muito cedo para dizer se o efeito é um caso de ETIP (edema tardio intermitente persistente), já que os quadros regrediram após o uso de anti-inflamatórios e os relatos mostram que os processos foram leves e temporários, ninguém precisou ser hospitalizado e não houve nenhum caso de choque anafilático".

 

É importante entender que a toxina botulínica é um neuromodulador usado na forma injetável para relaxar os músculos, e não houve relação entre a vacinação e a toxina, diferente dos preenchimentos dérmicos, usados para preencher linhas finas e rugas e remodelar a aparência. "Já os bioestimuladores são substâncias que, quando injetadas na pele, estimulam o nosso organismo a produzir colágeno. Seu mecanismo de ação consiste na estimulação dos fibroblastos, células responsáveis pela síntese do colágeno, em resposta a uma inflamação tecidual subclínica. A produção de colágeno se inicia cerca de dez dias após a aplicação. O tratamento é normalmente seguro, pois a substância aplicada na pele é biocompatível e biodegradável e, após alguns meses, é totalmente degradada e eliminada do organismo, permanecendo no local apenas o colágeno que foi sintetizado e ainda não existem relatos de efeitos colaterais com esse tipo de produto", pondera.

 

A pergunta que não quer calar é: qual é o tratamento seguro para quem planeja se vacinar contra a Covid-19? "Depende do tipo do preenchimento, o ácido hialurônico tem menor risco, e a data do procedimento também é importante. Um outro ponto a ser verificado é o histórico do paciente sobre alergias ou reações adversas. Uma dica é verificar com seu dermatologista o período de duração e que tipo de preenchimento foi aplicado. Certifique-se de receber o certificado do produto injetado, ou pelo menos fotografar a embalagem do produto. Outras opções disponíveis, e sem contraindicações, são os tratamentos a laser e ultrassom microfocado", finaliza a especialista.

 

Fonte: Terra

 

 

 

SBD esclarece sobre vacinação para Covid-19 em pessoas com procedimentos estéticos

 

 

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divulgou nesta sexta-feira (8/1) esclarecimento para a população e médicos sobre efeito de vacinas de Covid-19 em pessoas que realizaram procedimentos estéticos. A nota foi elaborada em decorrência de relatório divulgado pela Food and Drug Administration (FDA), agência do Departamento de Saúde dos Estados Unidos que regulamenta drogas e alimentos. 

 

O texto americano apontou relatos de edema (inchaço) em duas voluntárias de um estudo para desenvolvimento de vacinas que haviam se submetido a preenchimento facial. No seu esclarecimento, a SBD alerta que o assunto deve ser tratado com cautela, sendo que reações adversas em pacientes com preenchimento, apesar de extremamente raras, são conhecidas e descritas em estudos sobre o tema. 
 

“A produção de documentos desse tipo faz parte da missão diária da SBD, de dar suporte aos dermatologistas, oferecendo maior segurança e eficácia aos pacientes que contam com seu atendimento. Na Gestão 2021-2022, esse trabalho será mantido. No momento atual, em que a pandemia de Covid-19 ainda gera incertezas, é importante orientar os profissionais e a população sobre as adequadas percepções clínica, técnica e ética”, afirmou Mauro Enokihara, presidente da entidade.

 

Reação - No caso, o efeito descrito pela FDA é conhecido como edema tardio recorrente. Trata-se de uma reação inflamatória na área onde houve preenchimento facial ou labial. Em 2017, a ocorrência de reações desse tipo foi tratada no artigo “Edema tardio intermitente e persistente ETIP: reação adversa tardia ao preenchedor de ácido hialurônico”, na revista Surgical & Cosmetic Dermatology, publicação da SBD. 
 

O estudo reportou que essa substância ao ser aplicada em indivíduos com predisposição e na presença de gatilhos (infecções respiratórias, bacterianas ou virais e vacinação, entre outros) pode desencadear processo inflamatório devido à característica imunogênica (de gerar resposta imune) do preenchedor. Na avaliação da SBD, a possibilidade desse tipo de reação é reduzida e não deve impedir a adesão das pessoas à vacinação contra a Covid-19. 

 

Preenchimento - “Não há motivo para alarde nem para preocupação. De forma nenhuma as pessoas que fizeram preenchimento devem evitar a vacina, pois existe uma alta recomendação para que todos saibam as vantagens de se imunizar e de não se preocupar com esses eventos adversos, que geralmente são leves e regridem rapidamente”, salienta a coordenadora do Departamento de Cosmiatria Dermatológica da SBD, Edileia Bagatin.
 

Caso algum sinal ou sintoma inesperado surja após tomar a vacina, qualquer pessoa deve procurar orientação médica para ser devidamente avaliada e tratada. O coordenador do Departamento de Medicina Interna da SBD, Paulo Criado, reiterou que “perante 30 mil pessoas que participaram desse estudo, o número de pessoas que teve reação adversa é bastante reduzido e isso pode ter ocorrido por associação casual ou causal”. 
 

Contudo, lembrou ele, “os benefícios da vacinação contra a Covid-19, que é uma doença potencialmente fatal, são muito maiores do que eventuais pequenos riscos de uma reação."

 

Fonte: SBD

 

 

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